Flacidez da pele: o que realmente acontece no corpo

A flacidez da pele não é apenas “uma questão estética”. Ela é o resultado de mudanças biológicas profundas que ocorrem no corpo ao longo do tempo.

Para entender como prevenir e tratar de forma eficaz, precisamos olhar para o que acontece dentro da pele, o que a ciência comprova e como a nutrição pode fazer diferença.

O que é flacidez e por que ela acontece?

Nossa pele é composta por fibras estruturais que funcionam como uma “rede de sustentação”.

As mais importantes são:

● Colágeno: responsável por dar firmeza.

● Elastina: responsável por devolver elasticidade após esticar.

● Ácido hialurônico: responsável pela retenção de água e volume.

Quando envelhecemos, essas estruturas se degradam:

● A produção de colágeno diminui gradualmente com a idade (aproximadamente 1% ao ano após os 25–30 anos).

● O conteúdo de elastina também diminui.

● A capacidade da pele de reter água diminui, reduzindo sua firmeza.

Tipos de flacidez e por que isso importa

● Flacidez cutânea:

- Está diretamente na pele.

- Causas principais: perda de colágeno/elastina, exposição ao sol, envelhecimento e falta de nutrientes essenciais.

● Flacidez muscular:

- Está relacionada à perda de massa muscular que “sustenta” a pele por baixo.

- É muito comum em: quem pratica pouco exercício, emagrece rapidamente e quem tem baixo consumo de proteína.

Por que a pele envelhece mais rapidamente e fica flácida?

1. Envelhecimento Natural

Com o passar dos anos, a produção de colágeno e elastina  (proteínas responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele) diminui significativamente.

Esse processo é inevitável e natural, mas pode ser acelerado por fatores externos e internos.

2. Exposição solar

O sol causa dano direto às fibras de colágeno e elastina, acelerando a perda de firmeza. Esse processo está bem documentado em pesquisas sobre fotoenvelhecimento.

2. Glicação (quando o açúcar “gruda” nas proteínas)

Quando consumimos muito açúcar e ultraprocessados, parte da glicose pode se ligar às proteínas da pele, inclusive o colágeno, formando compostos chamados AGEs (Advanced Glycation End Products).

Esses compostos tornam o colágeno mais rígido, quebradiço e menos funcional.

3. Alimentação Desequilibrada

A falta de nutrientes essenciais, como vitamina C, A e minerais como Zinco e Ferro, além de um baixo consumo proteico, podem comprometer a saúde da pele.

Uma dieta rica em alimentos processados, açúcares e pobre em nutrientes prejudica a produção e manutenção do colágeno.

4. Sedentarismo

A falta de atividade física regular contribui para a diminuição da tonicidade muscular, o que impacta diretamente a firmeza da pele. Exercícios físicos são fundamentais para manter os músculos e a pele tonificados.

5. Flutuações de Peso

Ganhar e/ou perder peso de forma rápida, pode ocasionar em um estiramento da pele para além da sua capacidade de retração, resultando em um aumento da flacidez.

 6. Tabagismo e Consumo Excessivo de Álcool

O cigarro e o álcool aceleram o processo de envelhecimento da pele.

Eles comprometem a circulação sanguínea e a oxigenação dos tecidos. Além de aumentar a produção de radicais livres, que danificam o colágeno.

7. Fatores Genéticos

A genética desempenha um papel importante na determinação da qualidade da pele.

Você sabia que algumas pessoas são geneticamente predispostas a ter menos colágeno e elastina?

Esse processo pode fazer com que elas se tornem mais suscetíveis à flacidez.

Como vocês podem ver, o processo de flacidez da pele pode ter diferentes variáveis que contribuem para piora desse sinal.

A pele é um órgão endócrino, o maior órgão do corpo humano e um alvo importante das flutuações que muitas mulheres acabam passando ao longo da vida, podendo destacar da adolescência a vida adulta.

O que muda na pele com a idade?

Estudos mostram que, com o passar dos anos:

● A síntese de colágeno diminui.

● Há redução do ácido hialurônico.

● O processo de reparo dos fibroblastos (células que formam colágeno) fica mais lento.

Essas alterações juntas geram:

● Perda de elasticidade

● Rugas

● Pele “mais molinha”

● Menor retenção de água na pele

Nutrição: o que a ciência mostra que realmente importa

Produzir mais colágeno não depende apenas de tomar um suplemento. O corpo precisa de “matéria-prima” e de cofatores para montar as fibras de colágeno da pele.

1. Proteína adequada

O colágeno é feito de aminoácidos.

Se não houver proteína suficiente na dieta, o corpo prioriza órgãos vitais em vez da pele.

Muitos estudos sobre envelhecimento da pele ressaltam que a ingestão adequada de proteína é essencial para apoiar a síntese proteica global, inclusive colágeno.

2. Vitamina C

A vitamina C é a coenzima essencial para que as enzimas que montam o colágeno funcionem corretamente.

Sem vitamina C, a produção de colágeno fica prejudicada e esse mecanismo é bem descrito em pesquisas sobre renovação cutânea.

3. Antioxidantes

Oxidação é um processo químico que acelera o envelhecimento da pele e antioxidantes combatem esse processo.

Fontes comprovadas de antioxidantes:

● Frutas vermelhas, uva, repolho roxo, acerola, berinjela, beterraba…

● Chás como verde, branco, hibisco e moringa

● Especiarias como gengibre, canela e cacau

Pesquisas mostram que antioxidantes ajudam a proteger a pele contra o dano oxidativo e melhoram a saúde cutânea.

4. Hidratação

A hidratação adequada é um dos pilares fundamentais para manter a elasticidade e o aspecto firme da pele.

A derme, a camada onde estão colágeno e elastina, dependem de um ambiente rico em água para manter sua estrutura organizada e funcional.

Componentes como o ácido hialurônico têm alta capacidade de retenção hídrica, contribuindo para o volume e o turgor cutâneo.

A baixa ingestão de água por sua vez pode comprometer a integridade da matriz extracelular, reduzir o viço e evidenciar a flacidez já existente.

Embora a água não estimula diretamente a produção de colágeno, ela é essencial para o metabolismo celular, transporte de nutrientes e manutenção da qualidade da pele.

5. Sono de ”Princesa”

Dormir bem é essencial para a regeneração celular e a produção de colágeno. Tente manter uma rotina de sono adequada, com pelo menos 7 - 8 horas de sono por noite.

Se programe para jantar cedo e estar na cama por volta das 21h-22 horas.

E os suplementos de colágeno?

Existem pesquisas científicas importantes, com centenas de participantes, que investigaram que se tomar colágeno hidrolisado por via oral pode ajudar na pele:

Um estudo publicado na revista Nutrients analisou 26 ensaios clínicos com mais de 1700 participantes e concluiu que suplementos de colágeno melhoram significativamente a hidratação e elasticidade da pele.

Outra meta-análise publicada em 2025 mostrou que, quando todos os estudos são combinados, há efeitos positivos na elasticidade e diminuição de rugas.

Em resumo:

✔ Alguns estudos mostram benefício do colágeno oral

✖ Mas evidências de alta qualidade ainda são mistas e mais pesquisas são necessárias

Então, o que a ciência confirma (de forma prática)

● Perda de colágeno e elastina com a idade é real e inevitável e pesquisadores mostram isso claramente em estudos de envelhecimento cutâneo.

● Proteína adequada e vitaminas antioxidantes realmente ajudam a manter a pele saudável.

● Controle de açúcar e ultraprocessados é essencial para reduzir a glicação e danos ao colágeno.

● Suplementos de colágeno podem ajudar, mas não substituem hábitos saudáveis.

Portanto, a flacidez não ocorre do nada, ela é uma consequência natural do envelhecimento, da redução do colágeno e da exposição ao sol e a maus hábitos.

E a nutrição tem papel real e reconhecido pela ciência, onde mostram que:

● Proteína e vitamina C alimentam a produção natural de colágeno,

● Antioxidantes combatem o envelhecimento,

● Controle do açúcar protege o colágeno que já temos,

● Atividade física fortalece os músculos, ajudando a “sustentar” a pele.

● Suplementos podem ajudar, mas não substituem alimentação equilibrada e estilo de vida saudável.

Referências científicas

  1. Fisher GJ et al. Pathophysiology of premature skin aging induced by ultraviolet light. Journal of Investigative Dermatology.
  2. Thorpe SR, Baynes JW. Maillard reaction products in tissue proteins: implications for aging. Journal of Clinical Investigation.
  3. Verzijl N et al. Effect of collagen turnover on the accumulation of advanced glycation end products.

Journal of Biological Chemistry.

Chen P et al. Oral collagen supplementation: systematic review and meta-analysis.

  1. Nutrients. 2023.

Shuster S et al. The influence of age and menopause on skin collagen. Dermato-Endocrinology.

  1. Proksch E et al. Oral supplementation of specific collagen peptides improves skin physiology. Skin Pharmacology and Physiology.